ABORDAGEM:
A PSICANÁLISE E O OLHAR DE WINNICOTT
A base teórica que orienta o meu trabalho no consultório da Vila Mariana e no atendimento online.
COMO ESSA ABORDAGEM APARECE NO CONSULTÓRIO
Na prática, trabalhar sob a perspectiva winnicottiana significa investigar como se deu o seu processo de desenvolvimento, entender de que modo as inevitáveis falhas desse processo podem estar influenciando a sua vida atual, e oferecer um ambiente de acolhimento no qual você possa revisitar e ressignificar seus conteúdos internos.
Não se trata de aplicar uma técnica sobre você, mas de construir, a dois, um espaço onde aquilo que ainda não pôde ser pensado encontre condições de existir.
O QUE É A PSICANÁLISE
Quando se pensa em psicanálise, o primeiro nome que vem à mente é Sigmund Freud. Ele foi um médico neurologista que se aprofundou no estudo das chamadas “desordens neuróticas”. Seus estudos foram se ampliando à medida que ia tendo contato com outros estudiosos do tema e também com pacientes e casos clínicos. Assim surgia a psicanálise, ao mesmo tempo uma teoria sobre o psiquismo humano e uma metodologia de tratamento dos distúrbios pertencentes ao âmbito psíquico.
A teoria psicanalítica baseia-se na premissa de que há uma parte inconsciente do psiquismo, que exerce influência constante sobre a parte consciente, aquela com a qual tomamos contato o tempo todo. No inconsciente está armazenada uma série de conteúdos inacessíveis à mente consciente, seja porque causam dor, seja porque não são relevantes naquele momento histórico da vida do indivíduo.
Freud estabeleceu o método de associação livre, através do qual o paciente fala livremente sobre qualquer coisa que lhe vier à cabeça, sem censura ou julgamento. Com o aprimoramento dessa técnica surgiu a cura pela fala, que até hoje serve como base para o método psicanalítico, visando o acesso aos conteúdos inconscientes e sua consequente elaboração.
WINNICOTT: O AMBIENTE E O AMADURECIMENTO
Donald W. Winnicott foi um pediatra inglês que, durante sua prática clínica, começou a observar a inter-relação das mães com seus bebês e os efeitos que essa inter-relação causava na saúde do bebê. Interessou-se pelo estudo da psicanálise e, em 1934, foi qualificado como psicanalista. Como tal, trabalhou com crianças e adultos e, ao longo de sua vida, foi desenvolvendo uma teoria com base na psicanálise freudiana tradicional, mas com alterações e adaptações baseadas em suas próprias observações.
A teoria de Winnicott baseia-se primordialmente na relação mãe-bebê e em como essa relação favorece, ou não, o amadurecimento e o desenvolvimento do indivíduo. Para o autor, faz parte da natureza humana a tendência ao amadurecimento, mas o bebê e a criança precisam encontrar no ambiente fatores que sustentem esse movimento. Assim, tanto o bebê que tem a tendência ao amadurecimento quanto a mãe que proporciona um ambiente favorável a ele são partes fundamentais de um desenvolvimento saudável.
É essa ideia de ambiente – de um espaço suficientemente seguro para que algo possa acontecer – que sustenta o meu trabalho clínico.
O QUE É A PSICOLOGIA
O termo Psicologia deriva de duas palavras gregas: “psyché”, que significa mente ou alma, e “logos”, que significa estudo. Assim, ao nos referirmos à Psicologia, estamos falando do estudo da mente ou da alma. A distinção entre mente e alma é tema profundo e rende diversas discussões filosóficas. Por ora, cabe salientar que, sob a ótica da Psicologia, tanto a mente quanto a alma referem-se primordialmente aos comportamentos e aos processos mentais. Nada há de místico ou religioso no âmbito de estudo da Psicologia, mas sim um olhar observador e científico sobre as emoções, os sentimentos, os processos cognitivos, os comportamentos e os demais processos mentais dos seres humanos.
A Psicologia se estabeleceu como profissão no Brasil em 1962, e teve seu Conselho Federal criado em 1971. Mas muito antes disso já era considerada uma ciência, e vem sendo estudada com afinco por uma série de teóricos. Por isso hoje existe uma ampla gama de abordagens teóricas disponíveis para reger a prática de cada profissional.
Como exemplos de abordagens teóricas, cito o comportamentalismo (behaviorismo), o cognitivismo, o estruturalismo, o humanismo, a gestalt-terapia e a psicanálise, entre outras. Não há abordagem melhor ou pior: são visões diferentes de mundo, de ser humano e de prática clínica. O importante é que o profissional conheça profundamente a sua abordagem e exerça a clínica baseada nos preceitos teóricos, técnicos e éticos estabelecidos. No mais, a melhor abordagem é aquela que funciona para aquele paciente, naquele momento de sua vida.
